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Não é de hoje que adolescentes desencadeiam anorexia. Dados internacionais apontam que o problema pode afetar até 20% dos jovens, de todas as classes sociais. Mas apesar de não ser recente, esse assunto ainda é muito atual e discutido constantemente. De acordo com uma pesquisa feita no mês passado pela empresa MITI Inteligência, que avaliou as interações nas redes sociais para analisar as tendências de comportamento para a próxima década, dos termos relacionados à saúde, a palavra-chave "anorexia" foi a segunda mais citada. O distúrbio alimentar esteve presente nas redes inclusive com interações de teor positivo, como por exemplo: “Queria ter anorexia, #comofaz?”, mas também com comentários que demonstravam dúvidas, discussões e preocupações sobre o tema. Somado a isso, na semana passada terminou a SPFW, evento que apresenta as tendências de moda nos corpos de modelos, que em sua maioria, são magérrimas e têm IMC (Índice de Massa Corporal) abaixo do considerado saudável. São elas que servem de espelho para adolescentes que sonham com a beleza e isso pode ser um fator desencadeante para o transtorno alimentar.
A anorexia, como explica Mara Fernandes Maranhão, psiquiatra do Hospital Israelense Albert Einstein, é um distúrbio psiquiátrico do comportamento alimentar que se caracteriza pela busca incansável pela magreza, pelo medo mórbido de ganhar peso, pela recusa em manter o peso normal e pela distorção de imagem corporal. As causas, porém, são desconhecidas. "A anorexia é multifatorial. Não existe uma causa em específico. Na verdade, são vários fatores que se somam. Entre eles, características psicológicas, que podem estar presentes no indivíduo antes de a doença aparecer. Por exemplo, quando a pessoa é perfeccionista demais e tem alto grau de exigência consigo mesma. Outro fator que pode desencadear anorexia é a genética. Quem tem casos da doença na família, tem mais chances de desenvolvê-la. E também as questões socioculturais, já que a mídia e a sociedade fazem apologia ao corpo magro", explica Mara.
A doença afeta com maior frequência adolescentes de 12 a 18 anos, mas há casos de garotas com 8 ou 9 anos que foram diagnosticadas com anorexia. O problema também é 10 vezes mais frequente em mulheres do que homens e a gravidade é incontestável. Segundo a psiquiatra, esse é o transtorno psiquiátrico com índice de mortalidade mais alto. Para se ter uma ideia o índice chega a 20%.
A psiquiatra explica que existem dois tipos de anorexia: a restritiva e a purgativa. No primeiro, a pessoa começa cortando alimentos e vai restringindo cada vez mais até ficar períodos em jejum. Isso somado ao excesso de atividades físicas. No segundo, a restrição de alimentos vem acompanhada de métodos para perder peso, como uso de laxantes e diuréticos.
As consequências da anorexia para a saúde da jovem são desnutrição (muitas chegam a ficar com IMC
abaixo de 17 sendo que o considerado saudável é de 18.5), baixa taxa de metabolismo basal, baixa pressão sanguínea, osteoporose, anemia, altos níveis de colesterol, desidratação, arritmias cardíacas, depressão e, em muitos casos, até suicídio.
Por isso é importante que os pais fiquem atentos já que a doença se manifesta em meninas muito jovens que não têm a noção que estão com problemas. De acordo com Juliana Bergamo Vega, nutricionista do Hospital Israelita Albert Einstein e especializada em trasntornos alimentares pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 99% dos transtornos alimentares começam com dietas muito restritivas, principalmente os regimes da moda.
Além de iniciar dieta e restringir cada vez mais alimentos, outros sintomas da anorexia são quando a jovem fica obsessiva quanto às calorias dos alimentos, o principal assunto é comida e regime, a menina interessa-se por tudo relacionado à culinária, inclusive, fiscaliza a despensa e o preparo dos alimentos, ela deixa de comer com a família e participar de eventos que tenham comida, comem um pouco e vão rapidamente para o banheiro vomitar, se exercitam mais do que o normal por acreditar que a gordura consumida se transforma imediatamente em gordura corporal e se tornam cada vez mais isoladas já que o assunto principal é dieta e os outros interesses são deixados de lado.
O que acontece é que o perfil de meninas anoréxicas geralmente dificulta a percepção dos pais para o problema. "Geralmente são ótimas alunas e meninas exemplares. Aí fica mais difícil de os pais aceitarem a doença e procurarem tratamento", diz a psiquiatra. Por conta disso, em geral, a ajuda médica só é buscada quando a adolescente já está bem desnutrida.
Para o tratamento, que quanto antes começar, melhores serão os resultados, um psiquiatra, uma nutricionista e um psicólogo devem ser procurados, além do apoio da família. "O nutricionista tem papel de terapeuta nutricional e costuma ser o profissional mais temido pelas anoréxicas. Tudo porque ele vai tentar desmistificar o que elas já tem como certo, que é o jejum e o medo da comida", explica Juliana. "Nosso papel é orientar a paciente que ela está em fase de crescimento e precisa de nutrientes e para isso não pode se manter em jejum. Nós estimulamos a mudança do comportamento em relação a alimentação. Orientamos uma alimentação fracionada e que as principais refeições do dia sejam feitas, mas é um trabalho difícil e que requer paciência", finaliza a nutricionista.
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