Dieta baseada nos hábitos alimentares do homem da caverna é sucesso nos Estados Unidos por Tamirys Collis


Terça-feira, 29 de Março de 2011

Uma dieta que se baseia no estilo de vida do homem das cavernas é sucesso nos Estados Unidos e Europa, embora pouco conhecida no Brasil. Trata-se da paleodieta, que leva esse nome por propor que quem quer emagrecer deve ter os mesmos hábitos alimentares que o homem tinha no período paleolítico. O assunto, porém, é tão polêmico que divide opiniões entre especialistas.

Quem segue essa dieta só pode mesmo comer carnes, vegetais e frutas, como acontecia na pré-história. Alimentos industrializados e carboidratos (a não ser o que vem das frutas) estão excluídos do cardápio. Nem mesmo os integrais estão liberados. Para a nutróloga Daniela Hueb, aí está o primeiro erro do regime. “É muito radicalismo eliminar os carboidratos do cardápio, afinal de contas, eles são fontes de energia e dão pique para a correria do dia a dia e até para raciocinar. Só os carboidratos vindos das frutas não dão conta de fornecer toda a energia que nosso corpo precisa diariamente”, afirma a especialista, que completa que há 500 gerações isso era possível porque os homens só caçavam, comiam e dormiam.

Para o endocrinologista Filippo Pedrinola, os carboidratos não só não devem ser excluídos, como são extremamente necessários para quem quer perder peso. “Tirar o carboidrato da dieta por um longo período de tempo pode causar dor de cabeça, irritação e cansaço físico e mental. Deve-se dar preferência aos carboidratos integrais, como pão, arroz, aveia ou granola. Eles são fontes de carboidratos complexos e possuem uma grande quantidade de fibras que fazem com que a saciedade venha mais rápido, reduzindo o volume de alimento ingerido e conseqüentemente reduzindo o valor calórico da refeição.  Portanto eles também podem ser consumidos durante dieta para perda de peso”, acrescenta o médico.

Segundo Nathalia Ferreira, endocrinologista e médica assistente do ambulatório de obesidade grave do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, outro erro é proibir o consumo de alimentos industrializados. “Não é verdade afirmar que os industrializados fazem mal à saúde. A tendência é que tenha disponível para os consumidores alimentos mais puros, com menos conservantes, sódio e gorduras. Cabe a eles olhá-los com vigilância e escolher, entre tantas opções, os mais saudáveis. Não precisa deixar de consumi-los e sim consumi-los com critério”.

Por outro lado, o nutrólogo Hélio Guy Osmo, é a favor da paleodieta por acreditar que os alimentos consumidos são menos expostos aos agrotóxicos e hormônios, já que não são industrializados. “Hoje as maiores causas de morte são conseqüência do estilo de vida adequado a uma alimentação desregulada e baseada em alimentos industrializados e pouco ricos em nutrientes. Hábitos alimentares como os de antigamente evitavam problemas muito comuns nos dias de hoje, como diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares”, afirma o especialista.

O nutrólogo Maximo Asinelli é contra esse plano alimentar, porque acha que é muito difícil conciliá-lo com o estilo de vida urbano e corrido que as pessoas levam hoje. “O mundo evoluiu e nós temos que usar a tecnologia ao nosso favor. Ter hábitos alimentares saudáveis, consumir produtos frescos, mas não deixar de incluir os industrializados, desde que analisemos seus componentes”, argumenta a endocrinologista Nathalia Ferreira.

Outro hábito pregado pela dieta é alternar períodos de jejum com refeições fartas, como faziam nossos antepassados. De acordo com Pedrinolla, ficar períodos sem comer não é saudável e não contribui para perda de peso à longo prazo. “O jejum pode ser muito perigoso para o organismo, pois numa forma de defesa, o metabolismo torna-se mais lento o que certamente dificulta a perda de peso. O emagrecimento se torna mais lento, porque o organismo reduz o gasto calórico com o objetivo de poupar calorias. Além disso, certamente vai ocorrer  excessos alimentares na próxima refeição”, afirma o médico.

Para os defensores da dieta, como o economista americano Arthur De Vany, que escreveu um livro sobre o assunto, chamado “The New Evolution Diet”, que deve chegar ao Brasil em maio, o regime funciona, porque as necessidades dietéticas são determinadas geneticamente e nossos genes pouco mudaram desde a pré-história. Essa afirmação foi rebatida pelos médicos. A endocrinolosgita Nathalia Ferreira afirma que nosso DNA se adapta a novas variações. Já a nutróloga Daniela Hueb diz que o sistema digestivo do homem é o único adaptado para todos os tipos de alimentos.

A melhor forma de perder peso, de acordo com os especialistas, é seguir uma dieta individualizada, que respeite as necessidades nutricionais e o estilo de vida de cada um. O ideal é que seja fracionada com pelo menos 5 refeições por dia, sendo elas as 3 principais refeições: café da manhã, almoço e jantar e os pequenos lanches entre as refeições. Vale dar preferência a alimentos naturais, frescos e carboidratos integrais e evitar o consumo excessivo de doces e gorduras. Combinar boa alimentação com atividade física regular tamém faz toda diferença e acelera o processo da perda de peso.

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