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Uma nova dieta está fazendo sucesso nos Estados Unidos e atraindo pessoas interessadas em perder peso de forma rápida. A novidade da vez é a dieta hCG, que associa a ingestão do hormônio hCG (Gonadotrofina Coriónica Humana), produzido pelo organismo feminino durante a gestação, com uma alimentação baseada em 500 calorias por dia. A promessa é de que seja eliminado de meio a um quilo por dia com esse tipo de regime.
A procura pelo tratamento tem aumentado cada vez mais nas clínicas de emagrecimentos dos Estados Unidos. As mulheres chegam a desembolsar cerca de US$ 1.000 por mês por uma consulta, um suprimento do hormônio e as seringas para injetá-lo.
Em cada etapa do programa são 21 injeções. A dieta começa com aplicações diárias do hormônio hCG e no quarto dia o paciente começa a dieta restritiva. Além da perda de peso acelerada (algumas pessoas chegam a perder 15 quilos em um mês), os médicos que são a favor do tratamento garantem que ele dá mais energia e sensação de bem estar e também ajuda a melhorar a elasticidade da pele.
Apesar de ainda não ter virado moda como nos Estados Unidos, algumas brasileiras já estão aderindo ao programa, que é vendido na internet. Por aqui, nenhuma clínica está oferecendo o tratamento. Mas será que ele realmente funciona? Afinal qual o poder desse hormônio que favorece a perda de peso?
Segundo Nathalia Ferreira, endocrinologista e médica assistente do ambulatório de obesidade grave do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, o hormônio Hcg não emagrece e o programa não passa de picaretagem. “O que faz emagrecer mesmo, mas não de forma saudável, é que a pessoa se submete a uma dieta de 500 calorias diárias”, diz. A FDA (Food and Drug Administration, órgão americano que regula alimentos e medicamentos) autoriza a prescrição do hormônio para a perda de peso, mas não garante que a substância intensifique a perda de peso ou reduza a fome.
A endocrinologista Nathalia Ferreira alerta que a ingestão de hCG pode estimular a produção excessiva do hormônio tireóide, que causa, entre outros sintomas, taquicardia, perda de peso, nervosismo e tremores. “O hormônio hCG é muito semelhante ao TSH (hormônio estimulante da tireóide) e quando ingerido em excesso, ele se liga ao receptor TSH e aumenta a produção do hormônio tireoidiano”, explica a médica.
Nathalia ainda afirma que não há nenhum respaldo científico que assegure a eficácia da dieta. “Regimes a base de 500 calorias diárias não são saudáveis. O mínino indicado são 1500 calorias por dia, mas isso depende muito de cada paciente. Ninguém aguenta manter uma dieta com poucas calorias assim por muito tempo e a consequência de quem a segue é ter um reganho de peso depois já que a pessoa tende a comer mais tentando recuperar os nutrientes que o organismo perdeu durante a restrição severa de alimentos”.
O ideal para quem quer emagrecer é ter paciência, de acordo com a especialista. “A perda de peso deve acontecer aos poucos para que o organismo se adapte aos novos hábitos alimentares. É uma violência ao próprio corpo perder 20, 30 quilos em um mês como essa dieta propõe por mais tentador que seja”, finaliza a endocrinologista.
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