Hipotireoidismo afeta 15 vezes mais mulheres do que homens por Tamirys Collis


Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

Todo mundo acompanhou o fim da carreira de Ronaldo no Corinthians, anunciado oficialmente nesta segunda-feira, 14 de fevereiro, quando o jogador declarou que está se aposentando. Foi um período em que o “Fenômeno” (como era chamado no auge da carreira) foi bastante criticado pelo excesso de peso e, consequente, queda de rendimento no campo. Apelidos não faltaram: Gornaldo, Ronalducho e Gordo. Todo mundo se aproveitou da situação para zombar os quilos extras de Ronaldo. Mas no anúncio da aposentadoria, ele justificou o excesso de peso ao fato de ter hipotireoidismo. “Muita gente vai ficar com remorso de ter julgado e tirado sarro do meu peso”, disse ele durante a coletiva de imprensa. Mas o que, de fato, é essa doença? Ela tem como consequência mesmo esse aumento incontrolável de peso ou tem como evitar?

Para começar é importante esclarecer que a tireóide é uma glândula localizada no pescoço que produz os hormônios T3 e T4, responsáveis por controlar o metabolismo. Quando a pessoa sofre de hipotireoidismo, há uma diminuição na produção desses hormônios e a consequência é a desaceleração do metabolismo. “É como se a pessoa tivesse pisado no freio. Tudo fica mais lento e os sintomas são sonolência, perda de energia, dificuldade de concentração, lentidão no raciocínio, diminuição da motilidade intestinal, pele seca, fria, queda capilar e aumento de peso leve, efeito de retenção de líquido, não de excesso de gordura”, explica a endocrinologista  Ana Hoff, do Fleury Medicina e Saúde.

Os quilos a mais, porém, não devem ser atribuídos somente a doença. “Um dos sintomas é ganho de peso, mas depende muito de cada caso. O estilo de vida inadequado favorece isso. Se a pessoa tem o hipotireoidismo controlado, alimenta-se de forma saudável e faz atividade física, ela não vai engordar”, diz Nathália Ferreira, endocrinologista de São Paulo.

A doença atinge quinze vezes mais mulheres do que homens. Para se ter uma noção, afeta 15% das mulheres acima dos 65 anos e 2% das mulheres em geral. “Não se sabe ao certo o porquê, mas as doenças autoimunes geralmente afetam mais o sexo feminino”, diz Nathália.

A principal causa é a doença de Hashimoto, em que o organismo produz anticorpos que agridem e destroem a tireóide levando a um processo inflamatório da glândula e diminuição do seu funcionamento.

De acordo com Ana Hoff, não há como prevenir o hipotireoidismo, mas quanto mais cedo for diagnosticado, melhor. “Pessoas que tem histórico da doença na família ou já tem doenças autoimunes, como lupus, diabetes do tipo 1, tem uma predisposição maior a ter. Portanto, o recomendado é que façam um rastreamento hormonal, através do exame de sangue, anualmente”.

O hipotireoidismo não tem cura, mas há como controlá-lo e viver uma vida normal. O tratamento é feito com reposição hormonal. Ana Hoff explica que o mais comum é tratar com hormônio T4 sintético. O tratamento nunca deve ser abandonado e deve ser seguido ao longo da vida do paciente.

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